Ferido, porém de pé – parte 2

                         
Davi foi ungido Rei de Israel por escolha de Deus (1Sm 16.13). Davi foi solicitado a interceder por Saul com sua harpa para que ele fosse aliviado de uma opressão maligna (1Sm 16.23). Saul fez dele o seu companheiro e o amava (1Sm 16.21). Davi era o seu escudeiro (pajem de armas) (1Sm 16.21) – aquele que acompanhava o rei e levava suas armas para a guerra. Homem de confiança.Davi era aquele que animava Saul e guerreava as suas guerras (1Sm 17.32 – Filisteus – Golias). Israel se alegrava com as vitórias de Davi (1Sm 17.52). O filho do Rei se tornou um grande amigo de Davi (1Sm 18.1). Saul tinha prazer na sua companhia (1Sm 18.2). Saul colocou Davi como comandante dos exércitos de Israel, e Israel aceitava Davi, pois Davi caiu nos braços do povo (1Sm 18.5).

 Até aqui nós conseguimos identificar algumas qualidades e virtudes no jovem rei Davi: Davi era cheio de fé, corajoso, obediente, destemido, submisso, intercessor, amigo, guerreiro, nacionalista, cumpridor dos seus deveres, homem de caráter invejável. Eu lhe pergunto: Será que um homem bom e com tantas qualidades e virtudes está passível as feridas emocionais? Sim.
O problema é que nós não aceitamos isso. Achamos que nossas qualidades e virtudes serão suficientemente necessárias para que ninguém tenha ciúmes de nós, para que ninguém desconfie de nós, para que ninguém aja de má-fé conosco. Nós nos apegamos em nossos atos de bondade e concluímos que por causa disso, ninguém nos trairá, ninguém ficará rancoroso, ninguém nos perseguirá.  Veja queridos: Por mais que a bondade seja boa, por mais que nossas qualidades e virtudes exaltem a Deus e sirvam como bom testemunho aos homens, isto não nos isenta de sermos feridos profundamente na alma por quem está ao nosso lado, por quem nos ama. É triste dizer isso, mas, o bem que praticamos por vezes nos leva a caminhos jamais explorados e incompreendidos. O bem custa caro, porque é muito escasso e tudo o que é muito escasso, é muito bom, e por isso é caro. O bem sempre faz bem, mas, pelo fato do bem que praticamos refletir como espelho aquilo que o outro não é, e não tem, então o bem que praticamos acaba sendo perseguido e injustiçado por atitudes que beiram a loucura humana. Talvez você esteja se perguntando, até que ponto vale a pena fazer o bem, se muitas vezes ele atrai o mal?
A resposta é simples e bíblica: “Não te deixes vencer do mal, mais vence o mal com o bem” (Rm 12.21)
É meio difícil compreender isso, mais o bem pode até atrair o mal, porém no próprio bem está a solução para o mal. Exemplo: o antídoto para o veneno de cobra é extraído da própria cobra.
Deixa eu lhe fazer mais uma pergunta: Será que Davi merecia ser sangrado por feridas emocionais tão profundas? É óbvio que não. Porém Davi foi ferido profundamente, e essas feridas ao invés de produzir em Davi um efeito devastador, na verdade produziram um Rei, um Poeta, um profeta, um homem de Deus. Um homem que mesmo ferido sempre estava preparado e de pé buscando e fazendo aquilo que Deus se agradava.
Vamos analisar algumas feridas que atingiram em cheio a alma de Davi:
Já falamos da primeira ferida – Ciúmes (1Sm 18.6-8),  da segunda ferida – Desconfiança (1Sm 18.9) e da terceira ferida – Má-fé (1Sm 18.17-21,25).
4ª ferida – Rancor (1Sm 18.29)
Rancor – ódio oculto e profundo, ressentimento. Saul se contorcia todos os dias com ira de Davi, era como um câncer que cresceu ao ponto de se tornar em rancor, um ódio incontrolado e infundado que tornou Saul no inimigo número um de Davi. E eu me perguntei: Como Saul conseguiu sentir rancor de alguém que era seu escudeiro, de alguém que era muitíssimo confiável, e que intercedia favoravelmente a Deus com sua harpa pelo seu próprio alívio espiritual? Como existem pessoas que nos ferem, que nos maltratam, que nos trazem injúrias, que nos fazem mal sem direito, fruto de um rancor que nos fere profundamente. Fico a pensar como estaria a alma de Davi a partir desse momento, jovem, ainda inexperiente, tendo que administrar ciúmes, desconfiança, má-fé e agora o rancor. Penso eu que alma de Davi estava completamente dilacerada, esburacada pelas britadeiras ferrenhas de Saul. Imagino Davi muito ferido, refletindo sobre suas ações de bondade e suas virtudes, colocando tudo na balança para ver se valia a pena ainda continuar fiel, compromissado, obediente, e corajoso para as batalhas de Israel. Davi permanecia de pé diante dos rancores de Saul. Parece que Davi era imune as investidas satânicas de Saul (1Sm 18.30) – Por mais que se sentisse ferido, Davi não ficava lambendo suas feridas, ele tirava lições delas e continuava em frente com uma fé inigualável.
(Sl 25.19) – “Considera os meus inimigos, pois são muitos e me abominam com ódio cruel”.
5ª ferida – Traição (1Sm 19.1-6)
Mesmo reconhecendo que Deus era com Davi, Saul mesmo assim insistia em querer matar Davi, mais na verdade as ameaças de Saul era uma forma de derrubar Davi de suas convicções pessoais quanto a sua fé em Deus, seu reinado e o futuro de sua descendência em Israel. Seu filho Jônatas tentou reconciliar seu pai com Davi, usou de argumentos fortíssimos, e conseguiu. Conseguiu inclusive a promessa de seu pai de não mais matar a Davi. Porém isso durou pouco tempo, pois Saul estava determinado a exterminar Davi. Ele traiu a confiança de seu filho, traiu Davi, e mais uma vez lançou sua lança para matar Davi, mais Davi conseguiu fugir. A traição costuma ser a ferida que nós temos mais resistência a tratar, pois somente é curada com perdão. Davi poderia ter se voltado contra o rei Saul com grande indignação e intentar contra a vida dele, porém ele preferiu se abrigar sob a poderosa mão de Deus. Lembra-se de Jesus: ele foi traído, mais na cruz do calvário pode dizer: “Pai perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem”, quando ele poderia dizer cheio de ódio e sentimento de vingança: “Pai mata-os, pois eles fizeram sabendo”. Davi permanecia de pé diante da traição de Saul. Depois deste episódio, ele foi se encontrar com o profeta Samuel para lhe participar tudo o que tinha lhe acontecido até aquele momento. O ato de Davi ter encontrado Samuel depois de tanto tempo, demonstra sua submissão à voz de Deus e principalmente seu temor pelo ministério profético em Israel (1Sm 19.18). Davi poderia ter ido para outro lugar, mais preferiu ficar perto de Deus e de seu profeta.
(Sl 35.7-8) – “Pois sem causa me tramaram laços, sem causa abriram cova para a minha vida. Venha sobre o inimigo a destruição, quando ele menos pensar; e prendam-no os laços que tramou ocultamente; caia neles para a sua própria ruína”.
6ª ferida – Perseguição (1Sm 19.11;20.1)
Disposto a fazer de tudo para ver Davi morto, Saul inicia uma perseguição implacável a Davi. Esta perseguição teve muitos capítulos, Davi questiona Jônatas, pois não entendia a atitude de Saul (1Sm 20). Davi foge para Nobe. Depois vai para Aquis rei de Gate, fingi-se de maluco, pois ele considerou que eles iriam matá-lo ao invés de acolhê-lo. Depois Davi vai para a caverna de Adulão (1Sm 22.1), sua família fica sabendo e também se muda para lá com medo de Saul. Agora esta perseguição está esmagando Davi por dentro, pois ela chegou até a sua família. Davi, creio eu, sente-se culpado por isso. Agora suas feridas estão se agravando. Saul enlouquecido por Davi manda matar homens, mulheres e crianças de Nobe, até os sacerdotes, pois acolheram Davi, que foi até Aimeleque para consultar a Deus (85 sacerdotes são assassinados por Doegue). A ferida causada pela perseguição tem o poder de gerar medo e insegurança em nosso coração. Davi permanecia de pé diante daquela perseguição, pois suas atitudes eram reconhecidas por Deus (1Sm 22.14). A perseguição se acalorou, Davi foi para o deserto de Zife, porém diz a bíblia que Deus não o entregou nas mãos de Saul (1Sm 23.14). Davi teve duas oportunidades de matar Saul, uma em Em-Gedi e outra no outeiro de Haquila, porém não o fez pois temia tocar no ungido do Senhor. Na primeira Davi ficou frente a frente com Saul, mais ele permanecia de pé (1Sm 24.15-18). As atitudes de Davi frente aquela perseguição, nos mostram como ele estava firme com Deus em seu propósito de assumir o reinado como Deus queria. Saul morre de modo trágico e vergonhoso e logo depois Davi assume o trono.
(Sl 143.3) – “Pois o inimigo me tem perseguido a alma; tem arrojado por terra a minha vida; tem-me feito habitar na escuridão, como aqueles que morreram há muito”.
Você se sente ferido: Ciúme, Desconfiança, Má-fé, Rancor, Traição, Perseguição. O inimigo tem perseguido a sua alma lhe colocado por terra, a grande questão é: você está de pé?  Você está agindo como Davi?
Que Deus te sustente e lhe ajude a ficar de pé em meio às feridas!
Pr. Flavio Muniz
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